CARTAS A POVOS DISTANTES


Uma carta vinda de Luanda, África, do outro lado do oceano Atlântico. Uma história de amizade que encurta a distância e estreita os laços afetivos. Uma narrativa em que o amadurecimento do personagem une-se ao crescimento do leitor que, surpreende-se ao descobrir as grandiosidades e valores contidos em cada página, em cada troca de carta. Fábio Monteiro em seu livro " Cartas a Povos Distantes" nos aproxima de um mundo pouco compreendido, embora muito explorado. Publicado pela Editora Paulinas com uma belíssima arte gráfica e ilustrado por André Neves com imagens que nos conduzem a uma leitura visual ora independente, ora associada ao texto, busca no público infantojuvenil um olhar mais sensível sobre amizade e as coisas que nos realmente separam.

Giramundo é um menino sonhador, conhece o mundo sem nunca mesmo ter saído do lugar. Em sua cabeça cabem muitas línguas, aventuras e muitas histórias. Com poucos amigos não conhece muito sobre as pessoas que estão próximas a ele.


Um dia Giramundo teve uma grande surpresa. Uma carta enviada por um novo amigo de Luanda. Em um misto de alegria, medo e curiosidade, Giramundo resolve iniciar uma amizade através de cartas com seu novo amigo, passando a viver as ansiedades da espera, da resposta, das novidades. Cultivando uma amizade sem cobranças, com respeito e sutileza.

Por meio das cartas, Giramundo descobre um povo atemorizado pela guerra, mas também descobre que seu amigo tem um animal de estimação bem diferente e que o pôr do sol também é muito bonito para seu amigo de Luanda.

O tempo passa, as correspondências continuam e Giramundo junto com seu grande amigo de Luanda agora não são mais desconhecidos e conhecem muito mais do que apenas um ao outro, conhecem a si mesmos.

Cartas a Povos Distantes provoca o leitor pela vontade em saber mais sobre essa terra distante, sobre esse amigo misterioso e sobre essa amizade que mesmo através de correspondências torna-se mais firme e verdadeira do que alguns amigos que estão próximos. A amizade verdadeira não tem distância. A obra manifesta a busca pela olhar sensível ao outro, a compreendê-lo em suas fronteiras pessoais e a si mesmo quando leva o leitor a adentrar no que lhe é desconhecido. O desfecho é magnífico! Confesso em um primeiro momento buscar o óbvio no final do livro, mas o que encontrei foi algo além do esperado, do pressentido, mudando toda uma expectativa. O autor soube com maestria encerrar uma história ao mesmo tempo que a eterniza para seus leitores.

Livro vencedor do Prêmio Jabuti em 2016 e com o selo da FNLIJ de obra altamente recomendável, ambas na categoria jovem.


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